Cyberpunk: Edgerunners 2 quer nos levar de volta a Night City — porque aparentemente não sofremos o bastante
“Something Real” traz de volta aquela combinação perigosíssima de neon, violência, personagens carismáticos e a certeza de que gostar de alguém em Night City nunca termina bem.

Ah, Night City. Que saudade daquele lugar maravilhoso onde absolutamente nada de ruim acontece com personagens de quem você começa a gostar.
Depois de Cyberpunk: Edgerunners, qualquer pessoa minimamente sensata provavelmente aprendeu uma regra importante: não se apegue a ninguém em Night City. Funcionou? Claro que não. A nova prévia de Cyberpunk: Edgerunners 2, chamada “Something Real”, apareceu para nos lembrar exatamente por que esse universo é tão difícil de abandonar. Neon. Implantes. Megacorporações. Gente tomando decisões questionáveis em velocidades absurdas. Uma cidade gigantesca que parece linda vista de longe e completamente preparada para triturar seus sonhos quando você chega perto. Estamos em casa. Infelizmente.

Imagem: Netflix / CD PROJEKT RED / Studio TRIGGER
Night City continua sendo o pior lugar possível para fazer amigos
A primeira temporada de Edgerunners fez uma coisa particularmente cruel. Ela apresentou personagens absurdamente carismáticos, deu tempo suficiente para começarmos a gostar deles e depois basicamente perguntou: “Você estava emocionalmente investido nisso?” Que pena. Night City nunca foi exatamente conhecida por respeitar sentimentos humanos. E é justamente por isso que essa nova prévia funciona tão bem. Bastam poucos momentos para surgir novamente aquela sensação estranha de fascínio e preocupação. Você olha para os novos personagens e pensa: “Gostei desse.” Imediatamente depois: “Isso provavelmente foi um erro.”
Mas é exatamente por isso que queremos voltar
O curioso é que Cyberpunk poderia facilmente ser apenas um universo estiloso. Carros futuristas. Armas gigantes. Implantes. Hologramas. Arranha-céus cobertos de propaganda. Pessoas usando roupas que provavelmente levariam três horas para vestir. Só que Night City funciona porque existe algo muito humano escondido debaixo de toda essa tecnologia. As pessoas ainda querem ser amadas. Querem provar que são importantes. Querem dinheiro. Liberdade. Reconhecimento. Uma segunda chance. Às vezes querem todas essas coisas ao mesmo tempo, o que em Night City costuma ser uma excelente maneira de morrer de forma espetacular. E Edgerunners entendeu isso muito bem.
“Something Real” é um nome perigosamente apropriado
O próprio título da prévia chama atenção. Something Real. Algo real. Em um mundo onde praticamente tudo pode ser artificial, substituído, aumentado, gravado ou vendido, procurar alguma coisa genuína parece quase um ato de rebeldia. E talvez seja justamente aí que Edgerunners 2 possa encontrar sua própria identidade. A série não precisa criar outro David. Não precisa criar outra Lucy. E definitivamente não precisa tentar repetir exatamente aquilo que tornou a primeira história especial. Night City já oferece matéria-prima suficiente. Basta colocar algumas pessoas tentando encontrar sentido naquele lugar e deixar a cidade fazer o que sabe fazer melhor: cobrar caro por isso.
Assista à prévia ‘Something Real
Vídeo: Netflix Anime / YouTube
Novos personagens. Novas histórias. Os mesmos péssimos sinais
Uma das coisas mais interessantes em Edgerunners 2 é justamente acompanhar outra perspectiva desse universo. Porque David Martinez nunca foi a única pessoa tentando sobreviver em Night City. Existem milhares delas. Mercenários. Netrunners. Criminosos. Executivos. Sonhadores. Idiotas extremamente confiantes com implantes demais e senso de autopreservação de menos. Cada pessoa olha para aquela cidade e enxerga uma oportunidade diferente. O problema é que Night City costuma olhar de volta e enxergar carne para moer.
Por favor, não criem outro personagem adorável
Sabemos como isso funciona. O personagem aparece. Tem uma personalidade divertida. Talvez algum trauma. Uma relação complicada com alguém. Um sonho aparentemente impossível. Começamos a torcer por ele. E então o cérebro imediatamente lembra: “Espera. Eu já assisti Edgerunners antes.” Esse talvez seja um dos maiores trunfos que a segunda série possui. Agora existe uma tensão que nem precisava estar no roteiro. O público já conhece Night City. Conhece suas regras. E sabe que nesse universo ser protagonista não representa nenhum tipo de plano de saúde narrativo.
E ainda assim… que lugar incrível
É aí que mora a contradição fascinante de Cyberpunk. Night City é horrível. Desigual. Violenta. Exploratória. Praticamente construída sobre a ideia de transformar seres humanos em produtos. E mesmo assim… é impossível não querer olhar. As luzes. A escala absurda da cidade. As propagandas invadindo todos os espaços. As gangues. Os implantes. Os carros passando por avenidas cercadas por prédios gigantescos. Existe uma energia naquele universo que poucos cenários de ficção científica conseguem reproduzir. Você sabe que morar ali provavelmente seria uma experiência terrível. Mas passar mais dez episódios observando outras pessoas cometendo esse erro? Pode colocar na televisão.
Estamos mesmo preparados para Edgerunners 2?
Provavelmente não. E talvez seja exatamente esse o ponto. Cyberpunk: Edgerunners conseguiu transformar Night City em muito mais do que um belo cenário futurista. A cidade parecia participar ativamente da história, oferecendo sonhos enormes enquanto silenciosamente preparava a conta. Agora Edgerunners 2 tem a oportunidade de fazer isso novamente sem precisar repetir a primeira temporada. Outros personagens. Outros sonhos. Outras tragédias em potencial. Mas aquela mesma cidade fascinante esperando no fundo. A prévia “Something Real” conseguiu fazer algo que eu não esperava perceber tão rápido: eu estava com saudade de Night City. O que, considerando tudo que aconteceu da última vez… provavelmente significa que eu também não aprendi absolutamente nada.
E você? Está pronto para se apegar a mais um grupo de personagens que Night City provavelmente vai tratar com todo o carinho de um triturador industrial?




